sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A Parte Do Nada

Cresceu. E as cartas e palavras bonitas de outrora não são mais as emoções que lhe despertam os sentimentos. Amadurecer não é ter que envelhecer. Criar responsabilidades e crescer não é ter que perder a sua identidade em um banco qualquer de ônibus.
Seus tatos, suas falas e suas idéias mudaram tanto que ele já nem faz mais cabaninha com o cobertor e a chama para ficar lá embaixo sonhando vida e compartilhar com ela todas essas novas mudanças. Ela já não faz mais parte de um todo dele. Virou um processo meiótico.
Ela não vai mais lhe escrever coisas com beleza, e nem ele as retornará também, pois já não as sente mais. Amor, afeto, o sincero tesão, lindas palavras, carinho, e um pouco de vida, todos agora guardados num baú e empurrado para debaixo da cama.
Falar o que se sente e o que nunca deixou de sentir serão salivas gastas, pois para ele a razão chega mais rápido na casa e soca a porta. Os sentimentos ficam para trás, por serem lerdinhos, lerdinhos.
E tentar provocar nele tais sentidos com beijos, tato, pele, mordidas e ações amáveis será um mero desperdício de afetos. Ser amado já não faz mais parte dos seus planos arquitetados.
Ele se tornou incomunicável e intocável emocionalmente. E não há esforço que o mude. Ele quis crescer e ser um grande homem, para aprender a não saber o que é amar, e se acostumar a não sentir.