Se ruga é sinônimo de velhice, então nós já nascemos velhos.
Somos todos feitos de linhas, traços e engilhados. Nossa vida completa se resume à ponta de nossos dedos. Nossa vida está todinha em finas linhas circulares do polegar.
É incrível como sempre queremos apontar alguém com o dedo e esquecemos que somos acusados pelos nossos próprios dedos. Eles nos entregam. E entregam toda uma vida e uma identidade.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Outrora.
Pele encostando pele.
Enrosco de pêlos e confusão de pernas.
Somos duas partes num só.
Somos uma mistura em lençóis. Sou o cheiro impregnado no teu travesseiro.
A suavidade, o toque e a constante.
A saudade prematura que já bate nos nossos olhares, de ficarmos deitados nus frente-a-frente, com uma das mãos debaixo de nossas cabeças e a outra ao encontro da tua. Segurando-a. Achando que aquela é a forma de ficar mais presa a ti.
Eis que se olhando fixamente sem poder conter o leve sorriso, nossos olhares começam a dialogar.
Enrosco de pêlos e confusão de pernas.
Somos duas partes num só.
Somos uma mistura em lençóis. Sou o cheiro impregnado no teu travesseiro.
A suavidade, o toque e a constante.
A saudade prematura que já bate nos nossos olhares, de ficarmos deitados nus frente-a-frente, com uma das mãos debaixo de nossas cabeças e a outra ao encontro da tua. Segurando-a. Achando que aquela é a forma de ficar mais presa a ti.
Eis que se olhando fixamente sem poder conter o leve sorriso, nossos olhares começam a dialogar.
Ente.
O homem é um ser dotado de razão e emoção; tais características que guiam seu comportamento diante da sociedade e o fazem tomar uma iniciativa e exprimir opiniões.
Suas ações têm o papel importante na vida social, pois a sociedade com suas normas e regras sociais resulta de um conjunto complexo de ações individuais, que tem por fim estabelecer as relações entre indivíduos; o crescimento entre eles; os debates, e a impugnação de opiniões contrárias ou não. Sempre a razão agindo para um fim utilitário ou, movida por valores de ordem ética ou religiosa.
Ou até guiados por seu senso emocional e/ou o hábito de costume. Tudo em prol do crescimento.
Suas ações têm o papel importante na vida social, pois a sociedade com suas normas e regras sociais resulta de um conjunto complexo de ações individuais, que tem por fim estabelecer as relações entre indivíduos; o crescimento entre eles; os debates, e a impugnação de opiniões contrárias ou não. Sempre a razão agindo para um fim utilitário ou, movida por valores de ordem ética ou religiosa.
Ou até guiados por seu senso emocional e/ou o hábito de costume. Tudo em prol do crescimento.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Misto de ideias.
Encontro-me numa evasão de sentimentos. Minha alma só procura o transcendentalismo, pondo de partes observações e análises. Buscando o transcendental relativo à razão pura, anteriormente a qualquer tipo de experiência. Mas será que quando se fala em amor e paixão o mais viável é analisar antes de se entregar? Eis aí uma dúvida.
Quando se tem tais sentimentos, a nossa busca incessante é de entregar-se, respeitar e obedecer as vontades, ter o impulso dilacerante, envolver-se. Descartando qualquer tipo de hipótese posterior. O fulgor é de se motivar pelos sentidos, pelo querer, pela vontade e pelo saber. E só futuramente resolver indagar de tal ato. Se mover pelos sentidos e não, mecanicamente, entrar nesses fatos. E, falando em fatos; quem acredita que exista um dualismo entre fatos verdadeiros ou falsos? Fatos são única e exclusivamente fatos. Verdadeiro e falso são correlativos, portanto, seria um erro dizer que todos os fatos são verdadeiros, somente diríamos que algo é verdadeiro se fosse a espécie de que coisa que PODERIA ser falsa. Um fato não pode ser nem verdadeiro nem falso. Só fato.
E o amor? Quem ama tem paixão? Quem tem paixão ama? Não necessariamente. Mas que é maravilhoso que os dois andem de mãos dadas, ah, isto é.
Amor, aquela afeição profunda. O conjunto de fenômenos cerebrais e afetivos que constituem o instinto sexual. Uma sensualidade. Cópula. Ambição. Veneração. Graça. Mercê.
E o passional?
Ah, que palavra gostosa é a paixão. Um sentimento forte, profundo. Afeto violento, por exercer com força este sentimento, violento por ser intenso. Arrebatado. Agitado. Veemente. Tumultuoso. Grande afeição, amor ardente. Um grau elevado de entusiasmo. Dedicação com ardor e gosto. Enamorar-se apaixonadamente. Calor.
E nos dois se mantêm o respeito, de se saber amar e entregar-se apaixonadamente. Nada melhor que os dois juntos. Ou, um por pouco tempo e outro por longo prazo. Se assim preferir.
Mas e aí, nesse ponto de conversa, o mais viável é fazer o uso do transcendentalismo sempre? Pôr sua razão à frente de um impulso emocional? Olhar, observar, para depois pôr em prática o experimento? Ou seria descartar sua razão pura e envolver-se e ter as respostas que se procurava só depois de ter feito o contato? Não importa, em todas as interrogações há alegrias e desapontamentos. Mas que vasta ideia é esta de achar que tudo é infinito. Seja o que for que imaginemos é FINITO. Portanto, não existe qualquer ideia, ou concepção, de algo que denominamos infinito. Nenhum homem pode ter em seu espírito uma imagem de magnitude infinita, nem conceber uma velocidade infinita, um tempo infinito, ou uma força infinita, ou um poder infinito. Quando dizemos que alguma coisa é infinita, queremos apenas dizer que não somos capazes de conceber os limites de fronteiras da coisa designada, não tendo concepção da coisa, mas da nossa própria incapacidade. Mas não deixe o pessimismo te apavorar. Encare. E capture sua felicidade. Suas vontades. Sejam elas quais forem; a mercê de um sentimento ou a evasão deles.
( FELIZ ANO NOVO! - Meu ano está começando agora :) )
27.02.10
Quando se tem tais sentimentos, a nossa busca incessante é de entregar-se, respeitar e obedecer as vontades, ter o impulso dilacerante, envolver-se. Descartando qualquer tipo de hipótese posterior. O fulgor é de se motivar pelos sentidos, pelo querer, pela vontade e pelo saber. E só futuramente resolver indagar de tal ato. Se mover pelos sentidos e não, mecanicamente, entrar nesses fatos. E, falando em fatos; quem acredita que exista um dualismo entre fatos verdadeiros ou falsos? Fatos são única e exclusivamente fatos. Verdadeiro e falso são correlativos, portanto, seria um erro dizer que todos os fatos são verdadeiros, somente diríamos que algo é verdadeiro se fosse a espécie de que coisa que PODERIA ser falsa. Um fato não pode ser nem verdadeiro nem falso. Só fato.
E o amor? Quem ama tem paixão? Quem tem paixão ama? Não necessariamente. Mas que é maravilhoso que os dois andem de mãos dadas, ah, isto é.
Amor, aquela afeição profunda. O conjunto de fenômenos cerebrais e afetivos que constituem o instinto sexual. Uma sensualidade. Cópula. Ambição. Veneração. Graça. Mercê.
E o passional?
Ah, que palavra gostosa é a paixão. Um sentimento forte, profundo. Afeto violento, por exercer com força este sentimento, violento por ser intenso. Arrebatado. Agitado. Veemente. Tumultuoso. Grande afeição, amor ardente. Um grau elevado de entusiasmo. Dedicação com ardor e gosto. Enamorar-se apaixonadamente. Calor.
E nos dois se mantêm o respeito, de se saber amar e entregar-se apaixonadamente. Nada melhor que os dois juntos. Ou, um por pouco tempo e outro por longo prazo. Se assim preferir.
Mas e aí, nesse ponto de conversa, o mais viável é fazer o uso do transcendentalismo sempre? Pôr sua razão à frente de um impulso emocional? Olhar, observar, para depois pôr em prática o experimento? Ou seria descartar sua razão pura e envolver-se e ter as respostas que se procurava só depois de ter feito o contato? Não importa, em todas as interrogações há alegrias e desapontamentos. Mas que vasta ideia é esta de achar que tudo é infinito. Seja o que for que imaginemos é FINITO. Portanto, não existe qualquer ideia, ou concepção, de algo que denominamos infinito. Nenhum homem pode ter em seu espírito uma imagem de magnitude infinita, nem conceber uma velocidade infinita, um tempo infinito, ou uma força infinita, ou um poder infinito. Quando dizemos que alguma coisa é infinita, queremos apenas dizer que não somos capazes de conceber os limites de fronteiras da coisa designada, não tendo concepção da coisa, mas da nossa própria incapacidade. Mas não deixe o pessimismo te apavorar. Encare. E capture sua felicidade. Suas vontades. Sejam elas quais forem; a mercê de um sentimento ou a evasão deles.
( FELIZ ANO NOVO! - Meu ano está começando agora :) )
27.02.10
Meu impressionismo.
É incrível como um acontecimento anterior ao teu novo dia te faz acordar e sentir que lá fora está tudo mudado, tudo diferente. Que você anda diferente, move a cabeça diferente, mexe nos cabelos de um jeito diferente. E parece que o dia nasceu só para você, que o sol se pôs só para te observar. E, por mera ilusão, parece que é preciso que algo aconteça antes com você para que notes que um dia nasce diferente após o outro, que todos os dias, mesmo com praxes da vida, não são iguais nunca. E um sol se põe diferente do outro, e é preciso, às vezes, estar sozinho com nossos pensamentos para que isso seja notado. E o melhor: sentido.
Foi preciso que alguém pusesse a subtrair-me de meu canto para dar continuidade ao dia estranho, porém bonito que eu estava sendo banhada.
E foi uma retirada sem precisão, sem estranhamento, sem pés atrás para impugnar.
Quando o vi, de supetão o abracei. O abraço que guarneci um dia inteiro para um único momento. Eis o momento. Você sentiu meu calor e comentou sobre o mesmo, seguindo de uma pergunta de estado emocional. Eu disse que sim, bastante feliz. E senti o cheiro da tua pele pela primeira vez.
Disse que minha pele cheira a uma dita fruta, e daí não largou mais minha mão.
Como eu misturei cores para você, ah! E todas são só suas agora.
Eu misturava cores. Pintava. Sentia uma brisa na nuca. E me distraía, desviando, de lampejo, um ou outro olhar para você. Só meus cantos dos olhos sabiam o que era vê-lo fitar o mar, em hipnose, e "fotografar" sua visão em rabiscos no caderno.
Lembro de você de frente para o mar, para o sol, e para mim. Elevado, vislumbrando a força do vento contra a onda. Ora sim, ora outra me seguias com o olhar. Eu parei e respondi o teu. Foram instantes assim, vendo as árvores detrás de mim refletindo-se nos teus grandes globos castanhos. Eu poderia desenhar como engoliste as àrvores com teus olhos.
As frases curtas voam. O abrir de sorrisos leves se faz, com cada um com a sua ocupação.
Entrego-te o meu presente, me retornas uma rosa de papel. Faço-te carinhos, te desenho focinho e bigodes.
Eu sinto a tua pele na minha, eu descubro o teu tato. Provo o canto da tua boca. Ah! Que garoto terra.
Parece um Chaplin com aquela sombrinha e aquele andar peculiar. Canta o teu encanto. Canta mil canções. Uma ode. Ergue a voz com tanta segurança e me dá uma gotinha do Fernando Pessoa que há em meio a teu caderno e lápis de colorir.
Eu mexo no teu cabelo, beijo a tua nuca e passo a conhecer mais o teu rosto, tateando teus lábios, sobrancelha, olhos, queixo, nariz. Vejo o céu deitada em teu colo, sentindo o passear da tua mão sobre meus cabelos. Silêncio. Queixo. Nariz. Céu. Dou-te uma flor, que acaba por ficar bela entre teus curtos cabelos. Suor.
Fitar-te. A vista. A atenção. O pensamento.
Beijo-te. Acario-o. Acarinho-te. Toco de leve. Gestos felinos.
Mordo os lábios. É um abraço gostoso o qual me retornas. Promete me dedicar uma canção no violão. Porém, resultado infeliz. Mas eu aguardo esta canção em dedicatória para aquela que você chama de a Personificação do Imaginário.
E são tempos e tempos sentados alí, vendo luzes rápidas com rodas na rua, vendo carnes bípedes a se movimentar, e vendo aqueles dois infelizes animais.
Levantou o sol. Quebrou o mar. Caiu a chuva. E agora o que nos resta de hoje é este céu com quatro estrelas, nos dizendo tchau.
Foi preciso que alguém pusesse a subtrair-me de meu canto para dar continuidade ao dia estranho, porém bonito que eu estava sendo banhada.
E foi uma retirada sem precisão, sem estranhamento, sem pés atrás para impugnar.
Quando o vi, de supetão o abracei. O abraço que guarneci um dia inteiro para um único momento. Eis o momento. Você sentiu meu calor e comentou sobre o mesmo, seguindo de uma pergunta de estado emocional. Eu disse que sim, bastante feliz. E senti o cheiro da tua pele pela primeira vez.
Disse que minha pele cheira a uma dita fruta, e daí não largou mais minha mão.
Como eu misturei cores para você, ah! E todas são só suas agora.
Eu misturava cores. Pintava. Sentia uma brisa na nuca. E me distraía, desviando, de lampejo, um ou outro olhar para você. Só meus cantos dos olhos sabiam o que era vê-lo fitar o mar, em hipnose, e "fotografar" sua visão em rabiscos no caderno.
Lembro de você de frente para o mar, para o sol, e para mim. Elevado, vislumbrando a força do vento contra a onda. Ora sim, ora outra me seguias com o olhar. Eu parei e respondi o teu. Foram instantes assim, vendo as árvores detrás de mim refletindo-se nos teus grandes globos castanhos. Eu poderia desenhar como engoliste as àrvores com teus olhos.
As frases curtas voam. O abrir de sorrisos leves se faz, com cada um com a sua ocupação.
Entrego-te o meu presente, me retornas uma rosa de papel. Faço-te carinhos, te desenho focinho e bigodes.
Eu sinto a tua pele na minha, eu descubro o teu tato. Provo o canto da tua boca. Ah! Que garoto terra.
Parece um Chaplin com aquela sombrinha e aquele andar peculiar. Canta o teu encanto. Canta mil canções. Uma ode. Ergue a voz com tanta segurança e me dá uma gotinha do Fernando Pessoa que há em meio a teu caderno e lápis de colorir.
Eu mexo no teu cabelo, beijo a tua nuca e passo a conhecer mais o teu rosto, tateando teus lábios, sobrancelha, olhos, queixo, nariz. Vejo o céu deitada em teu colo, sentindo o passear da tua mão sobre meus cabelos. Silêncio. Queixo. Nariz. Céu. Dou-te uma flor, que acaba por ficar bela entre teus curtos cabelos. Suor.
Fitar-te. A vista. A atenção. O pensamento.
Beijo-te. Acario-o. Acarinho-te. Toco de leve. Gestos felinos.
Mordo os lábios. É um abraço gostoso o qual me retornas. Promete me dedicar uma canção no violão. Porém, resultado infeliz. Mas eu aguardo esta canção em dedicatória para aquela que você chama de a Personificação do Imaginário.
E são tempos e tempos sentados alí, vendo luzes rápidas com rodas na rua, vendo carnes bípedes a se movimentar, e vendo aqueles dois infelizes animais.
Levantou o sol. Quebrou o mar. Caiu a chuva. E agora o que nos resta de hoje é este céu com quatro estrelas, nos dizendo tchau.
Dia da misantropia.
Porque ela achou que o teria nas horas mais precisas, em momentos que mais ela aclamasse pelo seu olhar baixo e firme, de alguém que gostaria de estar alí e dar um pouco de si próprio.
Ela tentou acreditar demais em anjos. E tentou acreditar em sua imensurável força de crença na existência; porém, o dito não se fez como a conhecida escrita.
O teto pesa sobre sua cabeça, as paredes esmagam os seus tímpanos, e casa move-se lenta. Há um ar de sordidez, o ambiente torna-se um lugar inóspito, as cores não se misturam mais.
Parece que tudo criou vida. E dessa vida extraiu-se a morte.
Ela tentou tê-lo por perto, no entanto, foi tola a sua espera. Porque achou que o teria até mesmo quando não gritasse. Que o teria mesmo estando muda e imóvel, pois ele entenderia o peso de seu olhar, o arrasto de sua voz, e o suspiro gritante levado pelo vento até ele.
Ele a fez acreditar que estaria no preciso e no impreciso. Que pessoas como ele existiam, e poderiam ser maravilhosas sem desgaste algum, em tempo qualquer. Mas ela não obteve. Foi uma pessoa de vida, êxtase, compaixão, compreensão, espera, ânsia, virtude, gratidão, apego, afeto, amor, afabilidade, delicadeza. Todos depositados num acreditar. Tudo depositado dentro da alma de uma outra pessoa. Só para essa pessoa.
Ela lhe deu vida. Ele ganhou vida.
Ela perdeu tudo o que lhe era vida em meio à pedrinhas chutadas no chão. E ele? Ah, ele só está carregando esse excesso de vida mundo à fora, com todo egoísmo a ser.
A casa se fez em silêncio. Há apenas os rastejos, os varridos, e o resto do mundo lá fora. Um pano ensopado de lágrimas, de quem vem querer diluir-se por completo para Ela, à procura de um conforto próximo. Ela não sabe que palavras lhe retornar. Ela não retorna.
O silêncio se faz mais uma vez, e agora entre duas carnes. E se torna mais compreensível que um dizer de palavras vomitadas.
Viu como hoje o céu ainda não se fez bonito? É a espera. É o afã do que virá.
Ela tenta não o querer mais. O querer lhe causa angústias e decepções. Ela espera dele tudo o que o mesmo prometera a Ela; ombros firmes e onipresença. E, acima de tudo, um valor de amizade imensurável, de um inexcedível prazer. Sendo, ela se engana todo dia, e exacerba-se cada vez mais.
A garota se pôs, agora, a ser mais cética para tais situações, e crer apenas em uma única coisa: em seu próprio umbigo.
Ela tentou acreditar demais em anjos. E tentou acreditar em sua imensurável força de crença na existência; porém, o dito não se fez como a conhecida escrita.
O teto pesa sobre sua cabeça, as paredes esmagam os seus tímpanos, e casa move-se lenta. Há um ar de sordidez, o ambiente torna-se um lugar inóspito, as cores não se misturam mais.
Parece que tudo criou vida. E dessa vida extraiu-se a morte.
Ela tentou tê-lo por perto, no entanto, foi tola a sua espera. Porque achou que o teria até mesmo quando não gritasse. Que o teria mesmo estando muda e imóvel, pois ele entenderia o peso de seu olhar, o arrasto de sua voz, e o suspiro gritante levado pelo vento até ele.
Ele a fez acreditar que estaria no preciso e no impreciso. Que pessoas como ele existiam, e poderiam ser maravilhosas sem desgaste algum, em tempo qualquer. Mas ela não obteve. Foi uma pessoa de vida, êxtase, compaixão, compreensão, espera, ânsia, virtude, gratidão, apego, afeto, amor, afabilidade, delicadeza. Todos depositados num acreditar. Tudo depositado dentro da alma de uma outra pessoa. Só para essa pessoa.
Ela lhe deu vida. Ele ganhou vida.
Ela perdeu tudo o que lhe era vida em meio à pedrinhas chutadas no chão. E ele? Ah, ele só está carregando esse excesso de vida mundo à fora, com todo egoísmo a ser.
A casa se fez em silêncio. Há apenas os rastejos, os varridos, e o resto do mundo lá fora. Um pano ensopado de lágrimas, de quem vem querer diluir-se por completo para Ela, à procura de um conforto próximo. Ela não sabe que palavras lhe retornar. Ela não retorna.
O silêncio se faz mais uma vez, e agora entre duas carnes. E se torna mais compreensível que um dizer de palavras vomitadas.
Viu como hoje o céu ainda não se fez bonito? É a espera. É o afã do que virá.
Ela tenta não o querer mais. O querer lhe causa angústias e decepções. Ela espera dele tudo o que o mesmo prometera a Ela; ombros firmes e onipresença. E, acima de tudo, um valor de amizade imensurável, de um inexcedível prazer. Sendo, ela se engana todo dia, e exacerba-se cada vez mais.
A garota se pôs, agora, a ser mais cética para tais situações, e crer apenas em uma única coisa: em seu próprio umbigo.
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